OMAR

Omar, o segundo Califa (634-644d.C)

"Deus colocou a verdade na língua e no coração de Omar." (hadith)

A vida de Omar

Quando estava doente, Abu Bakr conferenciou com seu povo, principalmente com os mais eminentes e respeitados da comunidade. Após este encontro, eles escolheram Omar como sucessor de Abu Bakr. Omar era de uma família respeitada do Coraix e era mais novo do que o Profeta (saw) 30 anos. A família de Omar era conhecida pelo seu grande conhecimento de genealogia. Quando ele cresceu, Omar se destacou neste ramo do conhecimento, assim como na arte da esgrima, na luta e na arte da oratória. Ele também aprendeu a ler e a escrever quando ainda era criança, uma coisa rara na Mecca daquela época. Omar ganhava a vida como mercador. Sua atividade lhe possibilitou viajar bastante e encontrar todo tipo de pessoas. Esta experiência lhe deu uma percepção das questões e problemas dos homens. A personalidade de Omar era dinâmica, autoconfiante, franca e direta. Sempre falava o que lhe vinha à cabeça, mesmo que pudesse desagradar aos outros.

Omar tinha 27 anos quando o Profeta (saw) proclamou sua missão. As idéias pregadas por Mohammad o enraiveciam, da mesma forma que a outros notáveis de Mecca. Qualquer coraixita que se convertesse ao Islam encontrava a crítica feroz de Omar. Quando sua escrava aceitou o Islam, ele bateu nela até ficar exausto e disse a ela, "parei porque estou cansado e não por pena de você." A história de sua conversão ao Islam é interessante. Certo dia, cheio de raiva contra o Profeta, ele sacou de sua espada e partiu para matar o Profeta. No meio do caminho, ele se encontrou com um amigo e lhe contou o que tinha planejado fazer. Seu amigo, então, lhe disse que sua irmã, Fátima, e o marido também tinham aceitado o Islam. Omar foi direto para a casa de sua irmã, onde ele a encontrou lendo páginas do Alcorão. Ele caiu em cima dela e bateu sem dó nem piedade. Machucada e sangrando, ela disse ao irmão "Omar, você pode fazer o que quiser, mas não pode tirar de nossos corações o Islam". Essas palavras tiveram um efeito estranho em Omar. Que fé era aquela que fazia até de uma mulher fraca um coração tão forte? Ele pediu à irmã que lhe mostrasse o que estava lendo e no mesmo instante ele foi tocado pelas palavras do Alcorão e imediatamente compreendeu sua verdade. Ele dirigiu-se para a casa onde o Profeta se encontrava e declarou sua fidelidade a ele.

Omar não fez segredo de sua aceitação do Islam. Ele se encontrou com os muçulmanos e rezou com eles na Caaba. Essa coragem e devoção por parte de um cidadão influente de Mecca, levantou o moral da pequena comunidade de muçulmanos. Apesar de tudo, Omar também foi submetido a privações e quando a permissão para migrar para Medina chegou, ele também partiu de Mecca. A firmeza do julgamento de Omar, sua devoção ao Profeta (saw), sua ousadia e retidão de caráter lhe deram o título de "Faruq", que significa o "O que separa a verdade da falsidade". Durante o Califado de Abu Bakr, Omar foi seu assistente e conselheiro mais próximo. Quando Abu Bakr morreu, toda a comunidade de Medina jurou fidelidade a Omar e, no dia 23 de jamadi-al-akir, do ano 13 da Hégira, ele foi proclamado Califa.

O Califado de Omar

Após assumir o cargo, Omar falou aos muçulmanos de Medina:

"... Ó gentes, vós tendes direitos sobre mim que podem sempre ser reivindicados. Um desses direitos é que aquele que chegar a mim com um pedido, deve sair satisfeito. Um outro direito é que vós podeis exigir que eu não use indevidamente as receitas do Estado. Também podeis pedir que ... Fortificarei vossas fronteiras e não vos colocarei em perigo. Também é vosso direito, quando fordes para as batalhas, que eu cuide de vossas famílias enquanto estiverdes fora, como um pai o faria. Ó gentes, permanecei na fé em Deus, perdoai minhas faltas e ajudai-me em minha tarefa. Ajudai-me a fazer cumprir o bem e a proibir o que é mal. Aconselhai-me em relação às obrigações que me foram impostas por Deus..."

O feito mais notável do Califado de Omar foi a enorme expansão do Islam. Além da Arábia, o Egito, o Iraque, a Palestina e o Irã, também ficaram sob a proteção do governo islâmico. Mas a grandeza de Omar está na qualidade de seu governo. Ele deu um sentido prático à injunção alcorânica:

"Ó fiéis, sede firmes na observância da justiça, como testemunhas de Deus, ainda que o testemunho seja contra vós mesmos, contra vossos pais ou contra vossos parentes, seja o acusado rico ou pobre, porque a Deus incumbe protegê-los." (4:135)

Certa vez, uma mulher apresentou uma queixa contra Omar. Quando ele apareceu no tribunal, perante o juiz, este se levantou em sinal de respeito. Omar o repreendeu dizendo "Este é o primeiro ato de injustiça que você fez a esta mulher."

Ele insistia que seus governadores tivessem uma vida simples, que não tivessem guarda em suas portas e que fossem acessíveis ao povo todo o tempo, e ele próprio deu o exemplo. Muitas vezes enviados estrangeiros e mensageiros, mandados a ele por seus generais, o encontravam repousando sob uma tamareira ou orando na mesquita entre o povo, e era difícil para eles distinguir, no meio do povo, quem era o Califa. Ele passava parte da noite acordado nas ruas de Medina para ver se alguém precisava de ajuda ou assistência. O ambiente moral e social da sociedade muçulmana daquela época pode ser exemplificado pelas palavras de um egípcio que foi mandado espionar os muçulmanos durante um confronto. Ele contou:

"Eu vi um povo, onde cada um preza mais a morte do que a vida. Eles cultivam a humildade e não o orgulho. Ninguém tem ambições materiais. Seu modo de vida é simples ... Seu comandante é igual a eles. Não fazem diferença entre o superior e o inferior, entre o senhor e o escravo. Quando chega a hora da oração ninguém fica atrás ..."

Omar deu a seu governo uma estrutura administrativa. Foram criados os departamentos do Tesouro, do Exército e das Receitas Públicas. Foram estabelecidos salários regulares para os soldados. Foi realizado um censo da população. Foram feitos levantamentos dos territórios para estabelecer impostos equitativos. Novas cidades foram fundadas. As regiões que ficaram sob domínio de seu governo foram divididas em províncias, que eram administradas por governadores indicados por ele. Novas estradas foram feitas, canais foram abertos e construídos hotéis ao longo do caminho. Dos fundos públicos, foi feita uma provisão para ajudar os pobres e necessitados. Ele definiu, pela lei e pelo exemplo, os direitos e privilégios dos não muçulmanos, como, por exemplo, o contrato com os cristãos de Jerusalém:

"Esta é a proteção que o servo de Deus, Omar, governante dos crentes, concedeu ao povo de Eiliya (Jerusalém). A proteção vale para suas vidas e bens, suas igrejas e cruzes, para os doentes e os saudáveis e para todos os correligionários. Suas igrejas não serão usadas para moradia nem serão demolidas, seus recintos não sofrerão qualquer dano nem suas cruzes ou bens serão danificados de qualquer maneira. Não há compulsão para o povo em matéria de religião e ninguém sofrerá ofensas por conta da religião ... Tudo que está escrito aqui representa um pacto com Deus, sob a responsabildiade de Seu Mensageiro, dos Califas e dos crentes e será válido para os que pagarem a Jizya (imposto para a proteção de não muçulmanos) imposta a eles."

Os não muçulmanos que participaram das campanhas juntamente com os muçulmanos ficaram isentos do pagamento da Jizya e quando os muçulmanos se retiravam de uma cidade cujos cidadãos não muçulmanos tinham pago este imposto, o valor era devolvido a eles. O muçulmano velho, o pobre, o incapacitado, assim como os não muçulmanos, eram sustentados pelo Tesouro Público e pelos fundos provenientes do zakat.

A morte de Omar

No ano 23 d.H, quando Omar voltava para Medina, depois da peregrinação, ele ergueu as mãos e rezou: "Ó Deus! Estou velho, meus ossos estãos cansados, meu vigor já não é mais o mesmo e o povo por quem sou responsável espalhou-se pelo mundo. Chama-me de volta para Ti, meu Senhor."

Pouco tempo depois, quando Omar dirigia-se à mesquita para conduzir a oração, um magian, de nome Abu Lulu Feroze, que guardava mágoa de Omar a respeito de uma questão pessoal, atacou-o com um punhal e o esfaqueou diversas vezes. Omar cambaleou e caiu ao chão. Quando ele soube que o assassino era um magian, disse "Graças a Deus que não é um muçulmano."

Omar morreu na primeira semana do mês de muharram, do ano 24 d.H., e foi enterrado ao lado do Profeta (saw).

Fonte: www.sbmrj.org.br/Historia-califa2.htm